Volkswagen Golf 1.6 Sportline - 24/04/2010

Se você já assistiu à campanha publicitáriae você já assistiu à campanha publicitária do novo Polo na televisão, viu a Volks bater no peito e afirmar que o mundo inteiro dirige o mesmo carro. Seja no Brasil, seja na Europa, o carro é o mesmo. Com o Golf, a campanha não poderá seguir a mesma linha. O nosso Golf, que acaba de ser reestilizado, permanece na quarta geração do modelo. Os europeus já rodam há tempos com a quinta e a próxima é esperada para daqui a dois anos. Essa distância talvez não tenha tanto peso assim. Para começar, o entusiasmo com que o público recebeu a quinta geração foi poucos graus acima de glacial. O carro chegou com credenciais e preço que o consumidor não esperava - tanto é que a Volks deu marcha à ré em alguns pontos (a suspensão, por exemplo, trocou o alumínio pelo aço, mais barato) para melhorar o desempenho nas vendas do Golf europeu.

Por aqui a publicidade deve falar em um item sempre elogiado no Golf: a dirigibilidade. Tanto é que o astro dos filmes publicitários será o esportivo GTI e não a versão 1.6 que você vê nas fotos. E, nesse capítulo, vale o dito em inglês: "No news, good news" (sem novidades, boas notícias). A Volkswagen não mexeu na mecânica. Na edição de fevereiro de 2004 eu mesmo escrevi: "Se você aprecia uma condução mais esportiva, o Golf pode ser o seu número. Sua estabilidade merece aplausos em pé. Todo motorista deveria dirigir um de tempos em tempos para ajustar seus parâmetros sobre o que é boa dirigibilidade". E, de lá para cá, ninguém no segmento dos médios evoluiu a ponto de incomodar o Golf - ainda que o Focus esteja em um nível bem próximo ao do rival.

O visual que você vê nas fotos foi definido há dois anos e três meses. Mesmo tendo sido inteiramente desenhado por aqui, a matriz teve influência no desenvolvimento das linhas. Quando a versão do que seria o novo Golf ficou pronta, os designers brasileiros levaram as ilustrações para a Alemanha. Uma fonte da fábrica afirma que a matriz achou o carro parecido demais com a quinta geração do Golf europeu e não gostou. O caminho seguido foi utilizar linhas - como as do párachoque dianteiro - que o conceito Tiguan apresentou no Salão de Los Angeles em janeiro passado e que podem estar nos próximos VW. Por isso, a filial brasileira não se cansa de dizer que nosso Golf está à frente dos outros em termos de design.

Baixinho e gordinho
A intenção foi deixar o carro aparentemente mais largo e baixo e aumentar a sensação de estabilidade visual. Os faróis, que eram considerados pelo público brasileiro o ponto mais marcante do Golf, ganharam nova expressão, ficaram mais agressivos. Antes, eram emoldurados pela lataria, ou seja, você conseguia ver onde eles acabavam ao olhar o carro de frente. Os novos terminam nas laterais. Como não se vê onde acabam, a impressão é de que o Golf cresceu. A receita "parábola pequena no meio, parábola grande na ponta, com pisca na meia-lua de baixo" é a mesma do Polo. Grade, pára-lamas e capô dianteiro também foram redesenhados.

Na lateral ninguém põe a mão. A Volks argumenta que é uma silhueta muito forte. "O que fizemos foi inclinar a dianteira, para dar sensação de velocidade", afirma Gerson Barone, chefe de design da VW Brasil. Além disso, o vidro traseiro cresceu, para aliviar a espessura da coluna C e para colaborar com a amplitude lateral que a Volks quer estampar no Golf. Agora o vidro é envolvente, como acontece no Polo e no Gol.

A mítica associação entre carro e avião também faz parte do arsenal da marca na apresentação do novo VW. O pessoal de design afirma que a inspiração aeronáutica aparece nas lanternas traseiras, que sugerem turbinas de caças. Elas parecem utilizar led, mas são de lâmpada comum, refletida por prismas, como no Civic. Seja como for, o efeito é bom. Completam as modificações no visual novas rodas e os espelhos retrovisores, que passaram a incorporar as luzes de indicação lateral. E também ficaram do mesmo tamanho. Antes, eram assimétricos, com o da direita menor. Segundo a Volks, isso era alvo de reclamações.

No interior, a Volks mexeu pouco: os relógios do painel mantiveram a posição de sempre, mas ganharam um aro inclinado ao redor de velocímetro e do conta-giros, para dar noção de tridimensionalidade. A grafia dos instrumentos é nova e mantém a iluminação azul. A versão avaliada por nós tinha bancos de couro com duas cores - bege e cinza - que também poderão ser vistas no GTI, mas em posições invertidas. O resto é igual. A boa ergonomia e o bom acabamento continuam lá.

Mecanicamente, como dissemos, não há novidades neste Golf (o GTI, como você pode ler no comparativo com o Civic Si, sofreu pequenas alterações). Nem no sistema de arrefecimento. A chamada "área em elevação", que são as partes do radiador que você consegue enxergar olhando o carro de frente, é praticamente a mesma do anterior. Como não houve acréscimo de peso significativo (apenas 40 quilos), a Volks não precisou alterar a suspensão - e manteve as mesmas molas e amortecedores do anterior. As relações de marcha também não foram trocadas. Em outras palavras, ele continua com o mesmo conjunto bem acertado. É um carro que tem a direção direta e a suspensão firme. É do tipo que aceita provocações por parte do motorista, balança pouco e não retribui de forma brusca.

Dreno fechado
O motor é o 1.6 flex que estreou em maio passado. Manteve os 101 cv com gasolina e tem 103 no álcool. Na pista, não houve melhora. Pelo contrário. Comparado ao nosso último teste com o Golf (realizado em fevereiro de 2004), o novo piorou quase 1 segundo no teste de aceleração, onde levou 14,2 segundos para chegar aos 100 km/h. Com álcool, o tempo cai para 13,3. Pelo menos os engates dos câmbio são macios e agradam no uso cotidiano. É possível trocar as marchas do Golf utilizando apenas o dedo indicador. Nas retomadas, os números também pioraram. Mas vale dizer: além das condições climáticas diferentes, este Golf estava com apenas 67 quilômetros rodados. Pelo menos os números de consumo melhoraram. Na cidade o Golf faz 8,1 e 9,9 km/l, com álcool e gasolina. Na estrada são 10,4 e 14,1 km/l.

A Volks não fala em preço, mas dá pistas. Deve seguir a mesma receita que levantou as vendas do Polo. Mudar o visual, agregar equipamentos e, pelo menos por enquanto, não mexer na tabela. Em outras palavras, a versão 1.6 básica deve custar algo em torno de 49 000 reais. A partir de agora, todos os Golf devem sair de fábrica com ar-condicionado, direção hidráulica e sensor de estacionamento. Com essa estratégia, a marca quer reverter a posição incômoda do Golf no mercado, que está atrás do Chevrolet Astra e do Peugeot 307.

Um dos maiores drenos de venda do modelo no passado era o preço do seguro. Em alguns casos, chegava a bater em 6 000 reais. Desde o ano passado, a Volks passou a oferecer o rastreador por satélite de série no modelo. A partir daí, o índice de recuperação do carro em roubos e furtos subiu para algo próximo dos 100%, o que fez com que as seguradoras diminuíssem o preço do seguro. Com o novo Golf, a história continua e, no primeiro ano de vida, seu seguro pode custar cerca de 1 500 reais, dependendo do perfil do usuário.

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