Lançamento da BMW encara o líder de vendas da Volvo no rali urbano. Qual leva a melhor na pista e - 21/05/2010
Na conta da BMW, X mais 1 é igual a SAV. A nova sigla, que em inglês significa “Veículo para Atividades Esportivas”, define o X1, um carro que na calculadora da marca é o resultado da somatória de Série 1 com Série 3 e X3. A matemática da Volvo é mais simples. XC é a definição da fabricante sueca para seus veículos “cross”, enquanto o número 60 simboliza o modelo de entrada de seu catálogo para o segmento dos utilitários esportivos. Qual dessas “equações” entrega o melhor resultado?
Vamos aos números. O X1, disponível por enquanto somente na opção xDrive28i, vai da loja para sua garagem por R$ 174.900. E vai rápido. Por baixo do longo capô do carro ronca o motor seis cilindros em linha 3.0 litros aspirado de 258 cavalos de potência a 6.600 rpm e 31,6 kgfm de torque a 2.600 rpm. O XC60 na versão Top, à venda por R$ 165.900, não faz feio. Seu propulsor também é um seis canecos em fila indiana 3.0 l, mas difere por possuir um turbocompressor e ser posicionado na transversal, por isso o "T" em sua designação. Com esse fôlego extra, o modelo da Volvo dispõe de 285 cv a 5.600 rpm e 40,7 kgfm de torque disponível já em 1.500 rpm. Os dois vêm com câmbios automáticos de 6 marchas e tração integral, com a vantagem do BMW ter opção de trocas manuais no volante. Porém, na balança o modelo escandinavo é mais pesado que o germânico: 1.770 kg contra 1.610 kg.
O lançamento da BMW é vanguardista. Ao mesmo tempo em que parece um "hatchzão", o carro dá pinta de jipinho e perua. Por dentro, é confortável e bem acabado como um sedã de luxo. E a intenção é essa mesma. O XC60, por outro lado, é um autêntico utilitário-esportivo. É alto, tem ângulo de ataque mais avantajado e porte de jipão. Seu visual moderno foi pioneiro na revolução estética da Volvo, que abandonou o aspecto quadrado em busca de formas arredondadas e bem mais agradáveis, sem falar na sua imensa lista de equipamentos de segurança. Dizer qual é mais bonito depende muito do gosto pessoal de cada um. Mas de qualquer forma, são duas belas opções e a diferença de R$ 9.000 entre os preços, neste caso, não é um fator determinante na compra. O que vale é o melhor automóvel. Para descobrir isso fomos para a pista de testes para uma análise do desempenho das máquinas.
Fazendo as contas com o pé direito
O XC60 é mais potente e seu pico de torque surge mais rápido que a força máxima do X1. Mesmo sendo 160 kg mais pesado, o carro da Volvo superou o modelo da BMW em todas as nossas provas de aceleração e quase todas de retomadas de velocidade. Mas também não foi nenhuma lavada. No 0 a 100 km/h, o carro sueco marcou 7s5 contra 8s3 do rival alemão. Nas retomadas de 40 a 100 km/h, 60 a 120 km/h e 80 a 120 km/h, o XC60 marcou 6s2, 7s3 e 5s9, pela ordem. Nos mesmos ensaios, o SAV alemão obteve 7s0, 7s5 e 5s5 (com direito a uma vantagem no último número).
Façamos o seguinte questionamento agora: para um utilitário-esportivo o que é mais importante, acelerar mais rápido ou frear melhor? Para os carros desse segmento, naturalmente mais pesados, parar com mais segurança é mais válido do que acelerar de 0 a 100 km/h com uma vantagem de 0s8. Neste caso, o X1, por outro lado, “sai na frente” do XC60. Nas provas de frenagem a 80 km/h, 100 km/h e 120 km/h, o BMW precisou de 24 metros, 38 m e 56,1 m, respectivamente, até estancar vindo nas velocidades citadas. O Volvo, nos mesmos testes, precisou de 24,7 m, 38,7 m e 59,2 m.
O X1 também foi impecável na prova de fading de freios, que consiste em realizar 10 frenagens consecutivas com 200 kg de lastro no porta-malas. Nesse ensaio, o carro da BMW na melhor passagem precisou de 38,2 metros para frear totalmente, enquanto na pior foram precisos 39,6 m de asfalto. O XC60, nas mesmas condições, também foi bem, mas seus números de frenagem são ligeiramente inferiores. A variação do modelo da Volvo foi de 38,5 m a 40 m.
Mais uma vantagem para o X1, ele gasta menos. Abastecido com gasolina podium, o carro rodou 6,6 km/l na cidade e 11,4 na estrada, enquanto o Volvo, também com combustível especial, percorreu 5,4 km/l em regime urbano e 9,6 km/l em ritmo rodoviário. O tanque do XC60, por outro lado, é maior. Carrega 70 litros, ante 63 l de seu concorrente.
A diferença está nos detalhes
É impossível não se apaixonar pelo acabamento de um BMW top de linha. O formato é simples, mas o trabalho aplicado nos revestimentos é soberbo. Na versão xDrive28i, o X1 ainda vem equipado de série com o sistema de entretenimento iDrive, que acompanha 6 alto falantes e o monitor de LCD no centro do painel com comando touch-screen. A tela transmite imagens coloridas da situação do áudio, ar-condicionado (que é automático e digital), televisão (que só transmite imagens com o carro estagnado) e mostra a distância do carro em relação aos objetos próximos junto de alertas sonoros, auxiliando bastante na hora de manobrar em lugares apertados.
Falemos mais do X1. Os bancos, impecavelmente revestidos de couro (bege ou preto no mercado nacional), possuem ajuste elétrico no conjunto frontal e o assento do motorista pode ter as laterais infladas, melhorando ainda mais a posição de condução. Há também o teto solar panorâmico, que mais parece uma clarabóia tamanha iluminação que proporciona a cabine. Para segurança, o modelo conta com 6 airbags e controles eletronicos de estabilidade e tração, sem falar nos freios ABS (antitravamento das rodas) com sistema EBD (distribuição de frenagem por demanda). Até mesmo o kit de primeiro socorros do carro alemão impressiona, mas seu porta-malas é menor que o do XC60: 420 litros contra 495 l do produto importado da Bélgica.
Agora vamos ao XC60. Como todo Volvo de última geração, o jipão tem uma cabine funcional. Todos os comandos são fáceis e intuitivos e, a exemplo do visual exterior, o inteiror aboliu a caretice. O painel segue o estilo flutuante, que parece escorrer pelo cockpit. No entanto, é uma pena o monitor central funcionar somente para o auxílio de manobras em marcha ré. Uma câmera na tampa do porta-malas transmite a imagem traseira para a tela, que traça um trilho digital, indicando o melhor caminho na hora de uma baliza. Informações do aparelho de som e ar-condicionado aparecem acima do painel, numa tela de cristal líquido tão moderna quanto a de uma calculadora.
Por outro lado, o XC60 compensa a falta de requinte em relação ao X1 com mais espaço interno, posição de dirigir mais alta e uma lista de equipamentos de segurança sem igual no mercado. Em todas as versões o carro sai de fábrica com 8 airbags (sendo 2 do tipo cortina) e freios com ABS. Ele também vem com controles eletronicos de estabilidade, tração, controle em descidas e anticapotamento. Ainda não acabou. O encosto de cabeça dos bancos frontais possuem um recurso anti-chicote no pescoço (no caso de colisões na traseira) e as porções laterais do veículo são especialmente reforçadas para minimizar danos oriundos de impactos laterais. O modelo da Volvo ainda possui sensor de pontos cegos, que avisa o motorista com alertas luminosos na altura dos retrovisores externos, e um recurso que mantém os discos de freio sempre secos.
Muito além do preço
A escolha é difícil. Optar entre a alta tecnologia e o visual esportivo e inédito do carro da BMW ou pela perícia sueca e seus variados recursos para segurança aplicados no XC60? Apesar de mais barato, o modelo da Volvo paga mais caro na hora da cotação de seguros. No caso de um motorista de 40 anos casado e residente da zona sul de São Paulo, a conta sai em média R$ 9.100. Para o X1, o valor não passa de R$ 7.250 por ano. Vale lembrar também que a opção alemã gasta menos gasolina e conta com uma rede de assistência maior pelo país, no caso de algum problema.
Mas com uma diferença tão ínfima no desempenho e um nivel equilibrado de itens de série entre os carros, o fator do ineditismo nas ruas pesa na hora da conta final. Comprar um XC60 e ser mais um proprietário do bom SUV da Volvo nas ruas ou adquirir um X1 e ser um dos poucos descolados no trânsito? Certamente o novo produto da BMW para o mercado brasileiro é uma opção mais interessante.
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